segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aí vai o capítulo 4 galera!


         風風風風風風風風風風火火火火火火火火火火

Capítulo 4 – Uma fagulha e uma brisa

O céu estava limpo, as nuvens brancas eram umas das poucas coisas que se via além do grande e belo manto azul. Os raios de sol destacavam as cores da bandeira de Venturia. O amarelo representativo do vento e o cinza do símbolo brilhavam aos olhos de uma garotinha, que estava sentada a sombra de uma macieira. Seus óculos refletiam a beleza existente no reino do vento. Ela descansava para fazer uma viagem até Flamia, o reino do fogo. O motivo? Seu tio precisava de uma espada nova, e iria comprar uma do melhor ferreiro de lá, Joshua Lóris.
_ Lindsay! Vamos indo! – um homem gritou.
_ Já estou indo tio!
No continente vermelho, Joshua Lóris treinava seu filho, Joey, na arte do fogo.
_ Vai Joey, se concentra meu filho!
_ Eu já disse que não consigo – gritou o filho do ferreiro – prefiro treinar com a espada, dá menos trabalho.
Joshua deu um tapa na cabeça do filho, que reagiu gritando. “Um Chama tem que aprender a controlar o fogo. Você não passa nem no teste infantil!” criticou o pai.
_ Mas pai, minha habilidade é com a espada e na luta “mano-a-mano”.
_ Habilidades? Você só pegou na espada para fugir da escola de controle! – retrucou o velho senhor – e já faz quatro anos que isso aconteceu. Você tem 13 anos Joey, e ainda não controla nem uma fagulha. Tem que se esforçar mais meu filho.
_ Até parece! Eu, quando tento controlar o fogo, sou zoado por todos na classe.
_ Aí você bate neles?! Foi isso que te ensinei? Já te falei pra não se esquentar a toa. Isso não leva a nada.
_ Sou um Chama, sou esquentado por natureza – falou com escárnio – e como vou controlar o fogo se não me esquentar?
Joshua se enfureceu e começou a correr atrás do filho. Este sai correndo, entra na sala, pega sua espada e pula a janela. Ainda fugindo do pai, ele grita: “Ué? Você não falou que não era pra ficar esquentado do nada? HEHE!”.
Joey foi até o centro de Flame Rose, vila a 50 km da capital, FireProof. Chegando lá, olhou de um lado para o outro e, não viu ninguém. “Aconteceu algo aqui?” pensou o jovem Chama. De repente se ouviu um grito ali perto.
_ Solta a minha filha! Em pleno ano de 4075 vocês ainda têm essa idéia de combate entre elementais?
Enquanto Joey se aproximava de uma roda onde muitas pessoas se agrupavam para pegar uma menina, que aparentava ter seus 12 anos. “Se afastem dela, ou eu terei que usar minha espada” gritou o homem ao lado da menina. Ao desembainhar a espada e se atirar para ferir alguém, Joey se movimentou rapidamente e o parou com sua espada.
_ Se você ferir alguém, aí sim ela vai se machucar! – falou ele – O que você quer aqui em Flamia, Aero?
_ Quer conversar agora ou vai lutar “muleque”? – o homem estava cheio de ódio nos olhos – Vou te matar por ameaçar a mim e a minha filha.
_ Mas quem ameaçou quem aqui? – Joey se esquivou de um ataque, mas não conseguiu se desviar do seguinte e é ferido no rosto com a espada – AHHHHHH!
_ Garoto tolo! Como você pode derrotar a espada feita pelo maior ferreiro deste planeta? – o homem gritava presunçosamente.
O homem defere um ataque, porém é surpreendido por um soco em chamas. Joey olhou atentamente para o homem, que voou alguns metros após ter sido socado. Mas seus olhos voltaram imediatamente para o dono do soco e exclamou:
_ Pai!
_ Todos vocês, saiam já deste local! Não tem nada para ver aqui.
_ Mas, Sr. Lóris, ele é um Aero – gritaram algumas pessoas- o que o senhor irá fazer?
_ Ele é um Aero e nós somos Chamas! Nenhum outro povo destruiu tanto quanto o nosso. Vocês não têm o direito de discriminar esses estrangeiros! Como eu já disse, saiam!
As pessoas foram se afastando uma a uma, sem entender o porquê da reação do velho ferreiro. O filho se aproximou da garota deitada no chão. A garota tinha um cabelo comprido, loiro escuro, usava óculos, mas estes não escondiam a sua beleza. O que Joey sentiu ao ver a menina foi uma mistura de paixão e curiosidade. Ao mesmo tempo, Joshua via como estava o homem da espada.
_ Você está bem Ray? – perguntou ao homem – Desculpe-me pelo soco, mas você machucou meu filho.
O homem atordoado olhou para Joshua e teve um surto. “Lóris?!” exclamou o homem.
_ É Ray, sou eu! HEHE! – disse Joshua com uma expressão juvenil.
Os dois se abraçaram, o que surpreendeu Joey que olhava para o lado para não ficar encarando os seios da menina desacordada.
_ Pessoal o que eu faço com ela? – perguntou um pouco sem jeito.
_ Lindsay! – gritou Ray – Acorda menina, não desmaie a toa toda hora!
“Toda hora!” pai e filho disseram em uníssono, o que soou como um espanto momentâneo.
_ Está me dizendo que ela desmaia sempre? – Joshua perguntou.
_ Quase sempre. Ela tem uma saúde um pouco frágil e se assusta com qualquer coisa – disse Ray.
Os dois Chamas se entreolharam e começaram a andar em direção de Ray.
_ Você quer dizer que ninguém estava fazendo mal nenhuma a ela? – fala Joey – Mas sim que ela desmaiou a toa?
_ E você machucou meu filho por razão nenhuma? – Joshua falava com uma voz furiosa.
_ De que maneira eu chamaria sua atenção, senão fazendo um alvoroço? – Ray disse dando uma risadinha – Você me conhece Lóris.
A impressão era que Ray seria linchado pelos dois naquele momento, mas perceberam que a menina acordava, e não fizeram nada. Quando acordou, Lindsay levou um susto com os Chamas que estavam ali, mas não desmaiou novamente. Ray a contou o que tinha acontecido, que ele havia a assustado para poder trazer o ferreiro até aquele local, e Joshua concordou em levá-los para sua casa e cuidar dos ferimentos dos dois e de seu filho. No caminho, Joey veio conversando com a garota de Venturia. Algo entre os dois fazia parecer como que eles se conhecessem há muito tempo. Apresentavam certa conexão em seus pensamentos.
_ “Peraê”! Quer dizer que ele não é seu pai? – perguntou Joey espantado.
_ Não. – respondeu ela tranquilamente – Ele é meu tio, irmão de minha mãe. Ele cuida de mim desde que meus pais foram mortos.
_ Hum! Entendi. Minha mãe também foi morta – a tranqüilidade em sua voz indicava a confiança que os dois já possuíam um com o outro – Foi um RAKSASA de elefante.
De repente Joey abaixou a cabeça, seu olhar feliz se entristeceu ao lembrar-se da morte da mãe. “Você está bem, Joey?” perguntou a garota do reino do vento.
_ Estou sim. É que já faz cinco anos desde que isso aconteceu.
_ Meus pais morreram há sete anos. Eu tinha cinco anos na época, então não me lembro muito bem do que aconteceu – Lindsay falava com um sorriso para alegrar o Chama – Mas, mudando de assunto. Por que você quis lutar com espada? Pensei que o orgulho de um Chama fosse o controle do fogo em combates.
_ Fogo não fez nada contra uma carcaça de elefante – Joey estava um pouco enfurecido – A única coisa que feriu aquele monstro que matava minha mãe, foram as lâminas de um Aero que passeava por aqui na época. Infelizmente o RAKSASA conseguiu fugir, e minha mãe já não tinha mais tempo e faleceu. Naquele instante eu perdi a confiança no controle de fogo e comecei a treinar com a espada. Mas sem ajuda evolui muito pouco, já que levei esse corte na cara.
Lindsay passou a mão no rosto machucado de Joey, se aproximou e deu um beijo na área do corte. Joey corou, não havia sentido aquilo desde que sua mãe havia falecido: AMOR. Um sentimento quente e confortável. Um sorriso de alegria surgiu instantaneamente em sua face. Tinham acabado de chegar a casa, ela olhou para ele e correu para dentro. Joey continuou lá fora por mais alguns minutos, até seu pai o chamar para tratar as feridas. Já era noite e todos estavam tratados, eles apenas jantaram e foram dormir.
Na manhã seguinte, Joey acordou com o barulho de um martelo batendo no ferro. Foi até o cômodo metalúrgico atrás da casa. Seu pai estava consertando a espada de Ray, e de tão concentrado que estava não percebeu a entrada do filho no cômodo.
_ É assim que se faz uma espada então? – disse o garoto assustando o pai.
_ AH! Joey! – disse o pai após o susto – Sim, é assim. Tenho que reforçar o núcleo da espada de modo que ela não se quebre novamente. Um núcleo forte e resistente significa vitória.
_ Mas é preciso treinar também para vencer! – Joey falou dando uma indireta ao pai.
_ Eu posso te treinar enquanto estiver aqui! – disse Ray entrando de surpresa no cômodo – Você tem um ótimo domínio da espada. Impressionou-me aquela sua esquiva.
_ Ray, eu não acho que seja uma boa idéia o Joey praticar esgrima, ele precisa aprender a usar o fogo – Joshua falou.
_ Pai, eu já disse que não vou controlar fogo! – retrucou o garoto com raiva – E o senhor sabe bem disso, já que o senhor tentou atacar o RAKSASA de elefante com fogo e ele nem recuou. O controle de fogo do qual o senhor tanto se orgulha, não salvou a minha mãe!
A raiva de Joey penetrou os ouvidos do pai, que deixou cair uma lagrima do olho esquerdo. O garoto saiu correndo esbarrando em Ray, que se voltou para o ferreiro e disse:
_ Deixe que eu o treine. Ele não sabe a verdade sobre o que aconteceu com a morte da Sandra. Você terá que contar pra ele quando a hora chegar, mas por enquanto, me deixe treiná-lo.
Joshua ainda chorava, mas continuou a forjar a espada. “Acho que a Sandra iria querer assim. Cuide dele Ray” disse o ferreiro engolindo o choro. Ray assentiu com a cabeça e saiu. Enquanto isso, Joey estava na estrada para o centro, quando apareceram alguns garotos. Um deles, o que seria o líder, olhou para ele e disse:
_ Olha só quem vemos! Joseph Lóris, o “achama”.
_ Só porque “a” significa “não”, isso não quer dizer que você pode criar uma palavra pra me denominar Damian – Joey falou ignorando o grupo – Deixa de ser burro e se achar o rei da cocada queimada.
_ James Damian III pra você, Lóris! – gritou enfurecido o rapaz – Eu sou o futuro rei de Flamia, e você apenas o filho de um ferreiro que nem sabe controlar o fogo.
_ Idiota! Não sabe controlar o fogo! Que vergonha pros Chamas! – diziam o resto do grupo.
Joey, ao ouvir essas palavras, se virou com ódio no olhar. “Não se esquente a toa Joey” foi a única coisa que veio a sua mente naquele momento. Pensar nas palavras do pai quando queria matar qualquer um, não estava nos planos dele. Foi voltando a seu caminho original quando sentiu que Damian preparava uma bola de fogo para atirar contra ele.
_ Agora você pediu Damian! – gritou Joey.
Desembainhou a espada para se defender, mas foi detido por Ray. O espadachim esperou o ataque da bola de fogo, e o parou com um sopro.
_ Esse é o poder do príncipe de Flamia? – zombou Ray – “Ta” precisando de motivação pro seu fogo filho? Eu tenho revista pornô se Vossa Alteza quiser.
Damian estava surpreso com o poder do Aero e, furioso com as afrontas e zombarias, tentou dar um soco em Ray. Mas este se defendeu e revidou com uma cotovelada na boca do estomago do príncipe. Os outros do bando, que tinha cerca de 20 anos cada um, foram ajudar o seu líder e para bater no homem que o deferiu o soco. Todos foram derrotados.
_ Joey, acorda cara! Seu pai me deixou treiná-lo – disse Ray.
O garoto tinha acompanhado toda a situação, e estava pasmo com tudo.
_ Hã?! Que você falou?
_ Seu pai me deixou te treinar. Agora fecha a boca e vamos começar.
_ Mas o que você falou pra ele? Ele não cede tão fácil. Você o subornou? Ou será que aconteceu um milagre? Bom, de qualquer forma, obrigado – Joey sorriu ao dizer isso.
_ Não me agradeça. – Ray olhava seriamente para o garoto enquanto falava – Primeira regra do seu treino: RESPEITO.
_ Respeito?
_ Sim! Respeite quem mereça e você será respeitado. Começando com seu pai.
_ Eu sei que fui rude com ele, mas ele nunca iria me deixar treinar com a espada!
_ Mas ele deixou, não foi?! – Ray falava num tom de voz grave e sábio – Depois do treino de hoje, se você não der o devido respeito a ele, eu não sou mais seu treinador.
O garoto ficou apreensivo com as palavras do espadachim. Seu rosto mostrava que sabia que o respeito deveria ser a base do ser humano.
_ Como aprendiz de espadachim, esse é o meu primeiro passo – Joey falava seriamente – e eu vou acatar com as conseqüências caso eu falhe.
_ Bom começo – disse Ray – agora, EN GARDE!

Nenhum comentário:

Postar um comentário